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Jornal O Globo 5/02/07 Elis Monteiro
Enquanto não chega o sistema digital interativo, indústria de telefonia fixa aposta suas fichas no potencial da IPTV.
Cerca de 90% da população brasileira têm pelo menos um aparelho de TV em casa. Não por acaso, a indústria prepara uma série de lançamentos visando a promover o encontro da televisão com a internet. Isso propiciaria, por exemplo, que enquanto passa um programa na tela da TV, o consumidor possa atender uma ligação de telefone usando o controle remoto, por exemplo. A pessoa do outro lado da linha aparece em uma janela do televisor, e a conversa continua, assim como o programa. Melhor: usando a TV, será possível comprar, na hora, um capítulo de série ou um filme que acabou de ser lançado em DVD. Tudo isso aí - e muito mais - estará disponível ainda este ano aqui no país.
Pelo menos é o que esperam as operadoras de telefonia fixa. Através de parcerias com fabricantes de aparelhos e setup boxes (caixinhas decodificadoras de sinais), como a Philips, ou integradores de sistemas como a Siemens, as empresas esperam oferecer, ainda em 2007, o serviço de IPTV, que pode significar tanto o acesso à internet através da televisão como a TV rodando na web. O coração do serviço é o mundo IP (internet protocol), o mesmo que já hospeda serviços de compartilhamento de vídeos como o YouTube, só que na tela do micro.
IPTV vai tentar competir com a TV digital
A adoção da IPTV foi o tema do IPTV World Forum Latin America, que reuniu semana passada, no Rio, operadoras de telefonia, fabricantes de hardware e desenvolvedores de software. Em voga, a regulamentação dos serviços de TV pela internet (e de internet pela TV). A idéia é aproveitar os serviços já disponíveis de banda larga (DSL, usado pelas operadoras de telefonia) para propor um novo conceito de TV.
A televisão do futuro, como está sendo chamada a IPTV, será mais interativa: o usuário deixa de ser passivo, recebendo sinais das emissoras, e passa a ser ativo, montando sua grade de programação e sua rede de amigos para compartilhar vídeos, músicas e fotos. A IPTV também prevê conteúdo personalizado pelas operadoras e suas redes de parceiros e controle da programação pelo próprio usuário. Seria possível, por exemplo, dar "pause" num capítulo de novela ou recuperar capítulos de dias anteriores, que ficam armazenados nos servidores das operadoras.
Mas a TV Digital não traz isso tudo? Num primeiro momento, não. O processo para a adoção da interatividade na programação das emissoras que digitalizarem seus sinais ainda será lento. É exatamente esta lacuna que a IPTV visa a preencher. Outra diferença é que, na TV digital, um programa é enviado para todos os assinantes, ao mesmo tempo. Já na IPTV o cliente decide quando vai assisti-lo.
- Na IPTV você tem o que a TV digital tem, mais o triple play (voz, dados e vídeo) - diz João Eduardo Carramaschi, engenheiro de produtos da Siemens. - O foco do serviço é em DSL, para gerar concorrência com operadoras de TV a cabo. Como TVs são mais difundidas no Brasil que PCs, é um mercado e tanto.
A IPTV já está em operação comercial na Europa e nos EUA, onde há mais de 80 projetos em andamento. No Brasil, a Siemens faz testes com a tecnologia, em parceria com uma operadora. Telemar e Brasil Telecom já anunciaram seu interesse na exploração do serviço. A primeira está tão empolgada que, no ano passado, adquiriu a empresa mineira de TV a cabo Way TV. Agora, espera um sinal da Anatel para começar a operação. A Brasil Telecom também quer entrar no páreo e inclusive já tem um projeto-piloto de IPTV.
A tecnologia está sendo testada por 300 usuários, que já têm acesso a locadoras virtuais e jogos, dentre outras aplicações. O problema é que, assim como as licitações para 3G e WiMax, a regulamentação para o funcionamento da IPTV também está parada na Agência.
Enquanto isso, o mercado desenha seus modelos de negócios. A Siemens lançou a solução Surpass Home Entertainment, usada, por exemplo, pela Belgacom, na Bélgica. Atualmente, 120 mil clientes já têm acesso aos serviços de IPTV. Outra que tem apostado alto na tecnologia é a Philips, que está trazendo para o mercado brasileiro as setup boxes, que podem ser acopladas a quaisquer modelos de TV, inclusive as mais antigas - desde que tenham entrada de áudio e vídeo.
- Queremos mostrar que banda larga não é só acesso rápido, e sim uma forma de prover entretenimento. Na América Latina, a maneira de receber TV de maior sucesso é a não paga, mas o que vem ganhando audiência para a IPTV são os serviços diferenciados - diz Walter Duran, diretor de tecnologia da Philips na América Latina.
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